Almada Negreiros na Gulbenkian

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De momento encontra-se no Museu da Gulbenkian uma exposição  dedicada ao artista versátil Almada Negreiros. As portas abriram no  dia 03 de Fevereiro e apenas em 3 dias, contava já com 4.586 visitantes!  E não é por menos. A sua obra é rica, variada, fascinante. É o reflexo da criatividade energética de um génio.

José Sobral de Almada Negreiros (1893 – 1970) teve um percurso incomum e bastante singular no mundo da arte. Artista autodidacta e multifacetado, nunca se rendeu à especialidade, mas em vez à diversidade. A sua arte é rica, com estilos e temas dos mais variados. Uma arte que tem tanto de beleza como de humor. Almada Negreiros dava preferência ao desenho e à escrita, mas também pintava, fazia vitrais, histórias para a lanterna mágica, cartazes para filmes, textos de prosa ou poesia e até mesmo, bailado.

Foi um dos fundadores do modernismo português, participando activamente na revista Orfeu. Viajou para Paris, onde permaneceu apenas dois anos, vivendo numa situação de isolamento. Voltou a emigrar, desta vez para Madrid onde participou activamente nos círculos de artistas espanhóis (1927 – 1932) deixando inspirar pelos seus estilos, nomeadamente Picasso. E tudo isso se espelha na sua obra.

Milhares de pessoas continuam a deslocar-se à Gulbenkian. Porque em Almada Negreiro à sempre uma descoberta, uma reinvenção, uma surpresa. É uma arte que não aborrece porque não é monótona. Há-de tudo, um pouco para todos os gostos.  É fascinante e continuará sempre a ser fascinante.

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno

  • Museu Gulbenkian – Colecção do Fundador (Av. de Berna 45A)
  • Exposições temporárias: 3€–5€
  • Entrada gratuita nos Domingos a partir das 14h00
  • Encerra terça-feira

At the moment there is an exhibition dedicated to the versatile artist Almada Negreiros at the Gulbenkian Museum. The doors opened on 03 February and in only 3 days there were already 4,586 visitors! And it is not for less. His work is rich, varied, fascinating. It is the reflection of the energetic creativity of a genius.

José Sobral de Almada Negreiros (1893 – 1970) had an unusual and quite unique journey in the art world. Self-taught and a multifaceted artist, he never surrendered to specialty, but instead to diversity. His art is rich, with styles and themes of the most varied. An art that has both beauty and humor. Almada Negreiros gave preference to drawing and writing, but also painted, did stained glass, stories for the magic lantern, posters for movies, prose or poetry texts and even, dance.

He was one of the founders of Portuguese modernism, actively participating in Orfeu magazine. He traveled to Paris, where he remained only two years, living in isolation. He emigrated again, this time to Madrid where he participated actively in the circles of Spanish artists (1927 – 1932) and was inspired by their styles, namely Picasso. All this is reflected in his work.

Thousands of people continue to travel to the Gulbenkian Museum. Because in Almada Negreiros there is always a discovery, a reinvention, a surprise. It is an art that does not bore because it is not monotonous. There is a bit for all tastes. It is fascinating and will always remain fascinating.

José de Almada Negreiros: a way of being modern

Gulbenkian Museum – Collection of the Founder (Av. De Berna 45A)
Temporary exhibitions: € 3 € -5
Free admission on Sundays from 2:00 p.m.
Closed on Tuesday

30 anos de Zeca Afonso

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Faz hoje 30 anos que Portugal perdeu um dos maiores ícones da História e da Música de Portugal. Bardo do povo, o Bob Dylan de Portugal; Zeca Afonso (José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos) foi o homem que escreveu a canção que se tornou no símbolo musical da Liberdade.

O relógio apontava meia-noite e vinte cinco minutos quando a “Grândola Vila Morena” tocava na Rádio Renascença, na noite de 25 de Abril de 1974. Este era o segundo sinal secreto para dar luz verde à revolução que viria abolir de forma pacífica um regime ditatorial de 41 anos.

Este cante alentejano tem um texto poderosíssimo que fala da força pela união fraternal do povo e tornou-se o hino não só da revolução dos cravos, mas sobretudo a voz do povo contra o governo. Foi assim que, em 15 de Fevereiro de 2013, o movimento de protesto “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” interrompeu o debate quinzenal no Parlamento. Apenas dias depois, era cantada em Puertas del Sol em Madrid.

Foi assim que a força simbólica desta canção reavivou. O hino da Liberdade homenageou Zeca Afonso em 2 de Março de 2013 quando 800 pessoas encheram o Terreiro do Paço e cantaram o texto que diz “O povo é quem mais ordena”.

30 anos depois, Zeca Afonso ainda vive nos textos e estilos dos mais variados músicos portugueses. Acima de tudo, Zeca Afonso e a sua “Grândola Vila Morena” continuam a ter a mesma força e poder que tiveram em 1974.

Today, 30 years ago, Portugal lost one of its greatest icons of Portugal’s History and Music  . Bard of the people, Bob Dylan of Portugal; Zeca Afonso (José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos) was the man who wrote the song that became the musical symbol of Freedom.

The clock showed midnight and twenty-five minutes when “Grândola Vila Morena” played on Rádio Renascença, on the night of April 25, 1974. This was the second secret signal to give the green light to the revolution that would peacefully abolish a Dictatorial Regime of 41 years.

This cante alentejano (traditional folk song from the province Alenteo) has a very powerful text that speaks about the strenght of brotherly union and became the hymn not only of the revolution of the carnations, but mainly the voice of the people against the government. It happened that on February 15, 2013, the protest movement “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” (Screw troika! We want our lives!) interrupted the biweekly debate in Parliament. Just days later, it was sung in Puertas del Sol in Madrid.

This is how the symbolic strength of this song was revived. The anthem of Liberty honored Zeca Afonso on March 2, 2013, when 800 people filled the Terreiro do Paço (main square in Lisbon) and sang the text that says “The people are the ones who order the most”.

30 years later, Zeca Afonso still lives in the texts and styles of the many Portuguese musicians. Above all, Zeca Afonso and his “Grândola Vila Morena” continue to have the same strength and power they had in 1974.

 

O mundo fantástico da Sardinha Portuguesa

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Desde de 3 de Novembro 2016 que o Rossio conta uma nova esplendorosa loja que não pára de chamar a atenção dos mais pequenos e dos mais curiosos. As cores, o carrossel e a miniatura da roda-gigante embarcam-nos numa viagem para o passado, no mundo do circo, da magia e da alegria.

Actualmente, o edifício sobressai na sua iluminação natalícia e enquadra perfeitamente no meio dos enfeites luminosos que decoram as ruas de Lisboa durante estes dias. Pequeno ou graúdo, estrangeiro ou Português, ninguém resiste parar, sorrir e tirar uma fotografia da loja que é, indiscutivelmente, apelativa.

Então, qual o produto que esta fantástica loja vende? A resposta poderá surpreender-lo (ou não), por ser o produto mais banal que poderemos encontrar: a sardinha em lata. No entanto, não é o peixe em si que está a ser vendido. Não, a sardinha em si é o pretexto. O que se realmente está a vender é a lata em si. É um remate certeiro de marketing!

Ao entrar a loja, encontraremos no seu interior latas com diversas cores. Cada cor é dedicada a uma década. Em total são 10 décadas, ou seja, um século de latas de sardinha. O ano mais antigo é a de 1916 e o mais recente é o nosso ano corrente de 2016. Cada ano comemora um acontecimento e alguns nascimentos que marcaram a história.

De uma forma lúdica, vamos refrescando e aprendendo um pouco da história mundial enquanto os nossos olhos fixam-se nos vários anos. Eu pelo menos, descobri que o walkman, um grande companheiro da minha infância/juventude foi inventado no ano que nasci. Um bom ano, portanto.

Uma lata de sardinha custa 5 euros e é sem dúvida uma prenda e uma recordação original.   Certamente não irá encher a barriga, mas sim os olhos e gerar muitos sorrisos.

Since the 3rd of November 2016, Rossio (Lisboa) has a new splendorous store that keeps attracting the attention from children and from the curious. The colors, the carousel and the miniature of the ferris-wheel bring us on a journey into the past, into the world of circus , magic and joy.

Today, the building stands out in its holiday lighting and fits perfectly amongst the luminous ornaments decorating the streets of Lisbon during these days. From the youngest to the eldest, foreign or Portuguese, no one can resist to stop, smile and take a picture of the store that is, beyond doubt, appealing.

Which is thus, the product being sold in this fantastic store? The answer may surprise you (or not), since its the most banal product we can find: sardines in cans. However, it is not the fish itself that is being sold. No, the sardine itself is the guise. What they are really selling is the can itself. It’s a sure shot of marketing!

When you enter the store, you will find cans of different colors . Each color is dedicated to a decade. In total there are 10 decades, thus, a century of sardine cans. The oldest year is 1916 and the most recent is our current year of 2016. Each year it celebrates an event and some births that marked the history.

In a playful way, we refresh and learn a little more about world history while our eyes scan the several years. I speak for myself – I discovered that the Walkman, a great companion from my childhood / youth, was invented in the year I was born. A good year, therefore.

A can of sardines costs 5 euros and is, undoubtedly, an original present or souvenir. It certainly will not fill your belly, but rather generate many smiles.

 

 

 

 

 

O Presépio Tradicional Português

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“O que vais pedir ao Menino este ano?” –  Perguntavam os antigos, uma expressão que provavelmente é desconhecida à maioria das crianças, pois o Pai Natal e a Popota assumiram um lugar mais central na vivência da geração do séc.XXI.

Enquanto o Natal  está a tornar-se cada vez mais um estímulo para esvaziar as carteiras de ávidos consumidores, ainda existem tradições que se perduram no turbilhão das mudanças constantes – sonhos e rabanetes, a reunião familiar na Consoada e claro, o Natal nunca estará completo sem o presépio.

No caso concreto de Portugal, o presépio teve uma evolução singular, pois está directamente ligada aos costumes populares. Viveu o seu auge durante os séculos XVII e XVIII, quando a Igreja Católica visava  impressionar as massas populares com a beleza das artes plásticas.

Foi então que nasceu o “Presépio Tradicional Português”, formado pelo o moleiro e o moinho, a lavadeira e o padeiro, bailarinos a dançar ao som de um rancho folclórico, uma mulher com um cântaro na cabeça, os bêbados a cantar e a tropeçar ao sair da taverna, uma família a fazer a matança do porco, as crianças a brincar, o pastor a empurrar a mula, o cão a ladrar, o cavaleiro romântico a oferecer uma flor à sua amada.

No meio da multitude de personagens da vivência quotidiana Portuguesa, encontra-se quase escondida, a Sagrada Família rodeada de anjos e pastores. No final de contas, o Presépio Tradicional Português era um pretexto para retratar a sociedade setecentista e oitocentista.

E então? Que vais pedir ao Menino Jesus este ano?

“What are you asking Child Jesus this year?” it would be said in the old days, an expression that is probably unknown to most children nowadays, for Santa  took a more central place in the daily lives of the 21st century generation.

As Christmas is becoming more and more an incitement to empty the wallets of avid consumers, there are still some traditions that linger in the maelstrom of constant changes – Christmas Desserts, te family reunion at Christmas Eve and of course, Christmas will never be complete without the Christmas crib.

In the specific case of Portugal, the crib had a unique evolution, since it is directly linked to popular customs. It lived its peak during the seventeenth and eighteenth centuries, when the Catholic Church sought to impress the popular masses with the beauty of arts.

It was then that the “Traditional Portuguese Crib” was born. It was formed by the miller and the mill, the washerwoman and the baker, people dancing at the sound of folk music, a woman carrying a pitcher on her head, the drunkars singing and stumbling while exiting the tavern, a family killing a pig, children playing, a shepherd pushing the mule, the barking dog, a romantic knight offering a flower to his beloved.

In the midst of the multitude of characters belonging to the Portuguese daily life, there we find them almost hidden, the Holy Family surrounded by angels and shepherds! At the end of the day, the Portuguese Traditional Crib was a pretext to portray the seventeenth and eighteenth century society.

So, what are you going to ask Baby Jesus this year?

 

 

Guterres na ONU

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Quando António Manuel de Oliveira Guterres, nascido em Liboa a 30 de Abril de 1949, estudou Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico, provavelmente nunca imaginou um dia tomar posse do cargo máximo da ONU.

Durante o seu percurso académico, ainda numa era prévia à revolução dos cravos, o jovem Guterres mostrou interesse na política, fazendo parte do Grupo da Luz, que se dedicava à acção social. Em 1973 aderiu ao Partido Socialista, exercendo várias funções até chegar ao auge da sua carreira política em Portugal –  entre 1995 e 2002 Guterres exerceu o cargo de primeiro-ministro.

Seria apenas em 2005 que Guteres finalmente rumava para a área com a qual se sentia mais vocacionado e tomou o cargo de alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Este órgão pertencente às Nações Unidas tem como missão o apoio e proteção de refugiados em todo o mundo, com a contínua procura de soluções duráveis como a repatriação voluntária, a integração local e o reassentamento num terceiro país.

Hoje, a 12 de Dezembro 2016, António Guterres torna-se oficialmente o 9º secretário-geral da ONU. Durante o seu discurso, após o seu juramento, alertou para complexidade dos conflitos mundiais, a pobreza extrema e as constantes violações dos direitos humanos. Explicou como o nosso mundo vive um complexo paradoxo. É mesmo progresso tecnológico e crescimento económico que contribui para a melhoria da nossa qualidade de vida, que também conduz ao desemprego, às migrações geradas pela miséria e à crescente instabilidade generaliza, a qual é fruto da falta de recursos, da diminuição da liberdade de expressão e dos conflitos armados e terroristas.

Guterres discursou o seguinte:

«Ao mesmo tempo, nos últimos 20 anos, assistimos a um progresso tecnológico tremendo. A economia global está a crescer, os indicadores básicos revelam que a proporção de pessoas que vive abaixo do limiar da pobreza tem escalado dramaticamente, mas a globalização e o progresso tecnológico também têm contribuído para acentuar essas desigualdades. Há muita gente que foi deixada para trás»

As suas 3 prioridades estratégicas são o trabalho pela paz, o apoio ao desenvolvimento sustentável  e a gestão interna da ONU, mas também apela pela igualdade dos géneros na sociedade e trabalho, tal como a participação activa de jovens nos assuntos da ONU

«A minha contribuição na ONU será para recuperarmos essa confiança para melhor servirmos a humanidade», terminou o novo secretário-geral das Nações Unidas o seu discurso em diversas línguas.

Já comparado com o ganês Kofi Annan, o mundo aguarda com expectativa pelo dia 1 de janeiro de 2017, data em que António Guterres começa a trabalhar na secretaria-geral das Nações Unidas.

Numa altura em que o mundo está a sofrer grandes alterações, os olhos estão postos neste Português.

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When António Manuel de Oliveira Guterres, born in Libon on April 30, 1949; was studying Electrical Engineering at the Instituto Superior Técnico, he probably never imagined he would take, one day, possession of the UN’s top job.

During his academic career, still in an era prior to the carnation revolution, the young Guterres showed interest in politics. He belonged to the Grupo da Luz (Light Group), which was dedicated to social work. In 1973 he joined the Socialist Party, where he exercised various functions until he reached the peak of his political career in Portugal – between 1995 and 2002 Guterres served as prime minister.

It was only in 2005 that Guteres finally made his way to the area where he felt mostly called for and took the post of United Nations High Commissioner for Refugees. This United Nations body has as its mission to support and protect refugees around the world, with the continuing search for durable solutions such as voluntary repatriation, local integration and resettlement in a third country.

Today, on 12 December 2016, António Guterres officially becomes the 9th Secretary-General of the UN. During his speech, after his oath, he alerted for the complexity of world conflicts, extreme poverty, and constant violations of human rights. He explained how our world lives a complex paradox. It is the same technological progress and economic growth improves our quality of life, that also leads to unemployment, migrations generated by misery and increasing general instability, which is the result of a lack of resources, a reduction of freedom of expression and armed and terrorist conflicts.

Guterres addressed the following:

«At the same time, in the last 20 years, we have witnessed tremendous technological progress. The global economy is growing, basic indicators show that the proportion of people living below the poverty line has escalated dramatically, but globalization and technological progress have also contributed to these inequalities. There are a lot of people left behind »

His 3 strategic priorities are peace work, support for sustainable development and internal management of the UN, but he also calls for gender equality in society and work, as well as the active participation of young people in UN affairs.

My contribution to the UN will be to restore this confidence to better serve humanity», the new Secretary-General of the United Nations concluded in his speech, which was spoken in several languages.

Already compared to the Ghanaian Kofi Annan, the world waits expectantly for January 1, 2017, the date on which António Guterres starts working for the UN Secretary General.

At a time when the world is undergoing major changes, the eyes are set on this Portuguese.

 

 

 

Bacalhau

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É impossível dissociar a palavra “bacalhau” do Povo Português. É o maior consumidor mundial de bacalhau e um enorme apreciador deste peixe. Dificilmente sabemos se este gosto nacional é amor ou obsessão. Eu falo por mim. Se estou uma semana no estrangeiro, já estou desejosa de um bom prato de Bacalhau à Brás ou à Lagareiro!

Não há dúvida que a gastronomia portuguesa nunca seria a mesma sem o seu precioso bacalhau. Diz-se que existe uma receita diferente para cada dia do ano, mas já sabemos que a maioria das famílias Lusas irão comer Bacalhau com Grelos na noite da consoada, pois é o que a tradição dita.

A pergunta é, como é que este peixe duro, seco e salgado se tornou tão popular ao ponto de se tornar parte da identidade do Português? Porque o bacalhau não é propriamente um peixe da nossa costa Atlântica. Pelo contrário. O bacalhau é abundante nos mares gélidos da Noruega, Canadá e Polo Árctico. E durante séculos, navios portugueses navegavam faziam a longa e perigosa viagem para o norte, só para buscar bacalhau.

Tudo tem o seu motivo, evidentemente. Vamos recuar no tempo e viajar para o séc. XV. Estamos na época dos Descobrimentos, quando navios exploravam a costa Africana e ansiavam derrotar o gigante Adamastor para poder chegar à Índia. Era frequente estarem 3 meses no mar ser ter a possibilidade de abastecer. Foi assim que se foi à procura um alimento que pudesse ser conservado durante um longo período de tempo e de preferência, que fosse rico em nutrientes e proteínas. Experimentou-se a seca e salga em muitos peixes da costa marítima portuguesa, mas nenhuma respondia às exigências.

Então descobriu-se o ouro dos Sete Mares, o rei de todos os peixes – o bacalhau nórdico. Já os Vikings secavam-no desde o séc.IX e os Bascos mais tarde acrescentaram a técnica da salga. Os portugueses procuraram o bacalhau por necessidade e foram os que o mais cozinharam. São séculos de gerações que certamente mudaram a genética dos Portugueses e estou convicta que algures no ADN Luso há um cromossoma referente ao consumo do bacalhau.

Portugal é um dos exportadores mais importantes do bacalhau na actualidade. Tem uma frota de 13 bacalhoeiros e a pesca faz-se nas águas da Terra Nova (Noruega e de Svalbard) e oferece emprego a cerca de 2.ooo pessoas!

Há um anúncio que diz que o “melhor bacalhau vem da Noruega”. Mas o melhor bacalhau come-se em Portugal.

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It is impossible to dissociate the word “bacalhau” (codfish) from the Portuguese people. They are the world’s largest consumer of cod and naturally huge fans of this fish. It’s hard to know if this national liking is love or obsession. I speak for myself. If I’m abroad for a week, I’m already looking forward to a good dish of Bacalhau à Brás or Lagareiro!

There is no doubt that the Portuguese gastronomy would never be the same without its precious codfish. It is said that there is a different recipe for each day of the year, but it’s already known that most Portuguese families will eat codfish with cabbage at Christmas Eve, according to tradition.

The question is, how did this hard, dry and salty fish become so popular to the point of becoming part of the Portuguese’s identity? Cod is not exactly a fish from our Atlantic coast. On the contrary. Cod is abundant in the icy seas of Norway, Canada and the Arctic Pole. And yet, during centuries, Portuguese ships  made the long and dangerous journey to  the north, just to look for codfish.

Everything has its reason, of course. Let’s travel back in time to the 15th century. We are in the days of the Discoveries, when ships explored the African coast and longed to defeat the giant Adamastor (methaphor for Cape Good Hope) so they could reach India. It was common to be 3 months at sea without fresh food. So, the Portuguese started looking for a food that could be preserved for a long period of time and preferably rich in nutrients and proteins. Drought and salting were experienced in many fish from the Portuguese coast, but none met the needed requirements.

It was then that the gold of the Seven Seas, the king of all fishes,  was discovered – the Nordic codfish. The Vikings already dried it in the 9th century and later on, the Basques  added the salting technique . The Portuguese sought the codfish out of necessity and were the ones who cooked it the most. After centuries of generations the genetics of the Portugueses have surely changed . I am convinced that there is a chromosome in Portuguese DNA  that refers to the consumption of codfish.

Nowadays, Portugal is one of the most important exporters of codfish. There are 13 fishing fleets active in the waters of Newfoundland (Norway and Svalbard) that offer employment to around 2,000 people!

There is an advertisement  that says “the best codfish comes from Norway”. But the best codfish is cooked in Portugal.

 

 

 

 

Porto: 20 anos Património da Humanidade

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Hoje, 5 de Dezembro 2016, Porto está em festa. Passaram 20 anos desde que centro histórico da capital do Norte foi proclamado Património da Humanidade pela UNESCO. Ao meio-dia, os sinos de várias igrejas badalavam simultaneamente, durante 20 minutos, em comemoração desta data especial.

Nem há muito tempo, apenas cerca de 10 anos atrás, o Porto era uma cidade que vivia uma era triste de decadência. Contavam-se 100 mil desempregados, o centro histórico tornava-se desabitado, edifícios eram deixados ao abandono.

É incrível como a cidade desenvolveu grandemente num espaço de tempo tão curto. O papel da UNESCO foi um grande impulsionador, não apenas para a preservação de monumentos e bairros históricos, mas sobretudo à consciencialização dos seus habitantes das riquezas que a sua cidade possui.

A câmara, o turismo, estudantes, novos investidores e outras entidades tiveram um papel decisivo no renascimento do Porto. Hoje é um dos destinos favoritos da Europa e uma das cidades com melhor qualidade de vida em Portugal.

Porto é, sem dúvida, visita obrigatória! Deixe-se encantar pela cidade. https://www.youtube.com/watch?v=cJNhFsz9aGQ

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Today, December 5, 2016, Porto is celebrating. It has been 20 years since the historic center of the northern capital was proclaimed a World Heritage Site by UNESCO. At noon, the bells of several churches rang simultaneously during 20 minutes in celebration of this special date.

Not too long ago, just about 10 years ago, Porto was a city that lived a sad era of decay. There were 100,000 unemployed, the historic center became uninhabited, buildings were left to abandonment.

It’s amazing how much the city has developed in such a short space of time. The role of UNESCO was a major driver, not only for the preservation of historic monuments and neighbourhoods, but above all, for its inhabitants to become aware of their  city’s true valor.

The city council, tourism, students, new investors and other entities played a decisive role in the revival of Porto. Today it is one of Europe’s favorite destinations and one of the cities with the best quality of life in Portugal.

Porto is definitely worth to visit! Let yourself be enchanted by the city.

Cortiça

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Quando pensamos em cortiça, a primeira imagem que nos vem à mente é a rolha da garrafa. Não pensamos em malas ou guarda-chuvas, nem em paredes ou arte e muito menos na NASA.

A cortiça cresce na casca do sobreiro (Quercus suber), uma árvore lhe agrada muito o calor. É por isso que a maioria dos montados de sobro se encontram no Alentejo. São 730 mil hectares e produzem mais de 50% da produção mundial de cortiça!

A cortiça só pode ser extraída pela primeira vez quando a árvore tem cerca de 25 a 30 anos, e é feita no verão, de Junho a Agosto. A extracção pode ser feita anualmente durante 7 a 9 anos, daí que vemos muitas vezes um número na árvore – o indicador que nos diz quantos anos ainda se pode retirar cortiça.

Portanto, em que podemos utilizar a cortiça? Antigamente, os pastores do Alentejo usavam a cortiça para criar os seus pratos, colheres e até mesmo garrafas. Hoje em dia, a cortiça é usada em:

  • isolantes térmicos e sonoros na construção civil (paredes e solos), fresco no verão e quente no inverno. Que mais podemos desejar?

  • tecido de cortiça para acessórios como malas, carteiras, guarda-chuvas, chapéus, sapatos, brincos, pulseiras, colares, e tudo mais que enlouquece mulheres.

  • na construção de instrumentos musicais, mobiliário, nas indústria aeronáutica e automobilística.

e ainda

  • isolamento para as naves espaciais da NASA (empresa Amorim)

  • Um vestido para a Lady Gaga (designer Teresa Martins) que demorou apenas 2 anos a fazer e a artista vestiu para o concerto em Lisboa em Novembro de 2014

  • Obras de arte do artista de Chicago, Scott Gundersen, que recriam rostos como Jeanne ( 3.842 rolhas, 2009) e Grace (9.217 rolhas, 2010)

  • A prancha de surf do surfista havaiano Garrett McNamara

  • Skates do produtor australiano Lavender Archer Cork Skateboards, com o apoio da Amorim

E, não se cheguei a mencionar…

ROLHAS.

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When we think of cork, the first image that comes to mind is the bottle stopper. We do not think of wallets or umbrellas, nor floors or art, much less of NASA.

The cork grows on the bark of the cork oak (Quercus suber), a tree that enjoys the warmth. That is why the most cork oak cultures are found in the province of Alentejo. There are 730 thousand hectares and produce more than 50% of the world’s cork production!

Cork can only be extracted for the first time when the tree is about 25 to 30 years old, and is done in the summer, from June to August. The extraction can be done annually for 7 to 9 years, the reason why we often see a number on the tree – the indicator that tells us how many years are still left to remove cork.

So where can we use cork? Formerly, shepherds from Alentejo used cork to create their plates, spoons and even bottles. Today, cork is used in.

  •   Isolation for construction (walls and floors), cool in the summer and warm in the winter. What more can we wish for?

  • Cork fabric for accessories such as bags, wallets, umbrellas, hats, shoes, earrings, bracelets, necklaces, and everything else that drives a woman mad.

  • Can be used in the construction of musical instruments, furniture, in the aeronautical and automobile industry.



    and also

  • Isolation for NASA spacecrafts (company Amorim)

  • A dress for Lady Gaga (designer Teresa Martins) that took only 2 years to create it. The musician dressed it during the concert in Lisbon in November 2014.

  • Works of art by Chicago artist Scott Gundersen, who recreated faces like Jeanne (3,842 corks, 2009) and Grace (9,217 corks, 2010)

  • Surfboard belonging to Hawaiian surfer Garrett McNamara

  • Skateboards by Australian producer Lavender Archer Cork Skateboards, with the support of Amorim

And, did I mention …

BOTTLE STOPPERS.

1 de Dezembro 1640

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Era uma vez um jovem rei que sonhava com as aventuras heróicas dos tempos gloriosos dos Cruzados. Um dia, decidiu fazer uma expedição militar no Norte de África. A Batalha de Alcácer-Quibir acabou em tragédia e o rei desapareceu.

D.Sebastião não deixou herdeiros e, após umas quantas peripécias políticas, o monarca de Espanha D.Filipe II, filho de uma princesa Portuguesa, foi aclamado novo rei de Portugal , o primeiro do seu nome.

Durante 60 ano os Portugueses esperaram pacientemente pelo regresso do eterno tão Desejado D.Sebastião. Cantavam que o jovem rei entraria em Lisboa numa manhã de nevoeiro, montado no seu cavalo branco, pronto a salvar Portugal. Esperamos ainda, até o dia de hoje.

Quem se cansou de esperar foram os Quarenta Conjurados (rebeldes nacionalistas Portugueses). No dia 1 de Dezembro 1640 organizaram o golpe de estado revolucionário que devolveu independência a Portugal. Foi o fim da Dinastia Filipina Castelhan. Foi o dia da Restauração da Independência de Portugal, quando o duque de Brangança, D.João IV fora aclamado como o novo soberano Luso.

Hoje, 1 de Dezembro 2016, também comemoramos o restauro deste feriado, junto ao Obelisco da Praça dos Restauradores, o símbolo e monumento da Restauração.

http://www.jn.pt/nacional/interior/presidente-da-republica-diz-que-feriado-de-1-de-dezembro-nunca-deveria-ter-sido-suprimido-5529199.html

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Once upon a time there was a young king who dreamed about heroic adventures of the Crusaders’ glorious times. One day he decided to make a military expedition in North Africa. The Battle of Alcácer-Quibir ended in tragedy and the king disappeared.

D.Sebastião left no heirs, and after a few political rallies, the monarch of Spain Philip II, son of a Portuguese princess, was acclaimed as the new ruler of Portugal, the first of his name.

During 60 years the Portuguese waited patiently for the return of the eternal Desired D. Sebastião. They sang the young king would enter Lisbon on a foggy morning, mounted on his white horse, ready to save Portugal. Till the day, we wait still.

The Conjured Forty (Portuguese nationalist rebels)  were tired of waiting after six decades. On December 1, 1640, they organized the revolutionary coup d’etat that restored independence to Portugal. It was the end of the Philipine Castilian Dynasty. It was the day of the Restoration of the Independence of Portugal, when the Duke of Brangança, D.João IV was acclaimed as the new sovereign.

Today, December 1, 2016, we also celebrate the restoration of this holiday, by the Obelisk at the Restauradores Square, the symbol and monument of the Restoration.

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Calçada Portuguesa

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Por todo o Portugal,  desde da maior cidade até às mais pequena aldeia, caminhamos tanto em passeios como em amplas praças sobre a Calçada Portuguesa.

wp_20150913_003Pode-se dizer que a calçada é uma arte funcional, pois exige um conhecimento específico que apenas o calceteiro possui. Ele pega num cubo de calcário ou basalto e vai partindo-a, artesanalmente, rigorosamente e pacientemente até ter o tamanho e a forma desejado para depois a encaixar num verdadeiro puzzle.                                                                                                                                                                                             As pedras brancas e pretas criam padrões, cuja função é puramente decorativa. No entanto as imagens remetem frequentemente ao imaginário Português invocando muitas vezes o outrora passado glorioso dos Descobrimentos. É assim que reconhecemos caravelas, sereias, conchas, ondas e outros motivos na calçada. E ainda se admiram muitos que os Portugueses olham muito para o chão…

A tradição da Calçada Portuguesa tem as suas raízes no séc XVI, quando o rei D.Manuel teve a brilhante ideia de festejar os seus anos com um exuberante e excêntrico cortejo pelas ruas de Lisboa, em que incluía um pesadíssimo elefante. A ideia de criar um pavimento de pedra  foi portanto a solução para suportar o peso do mastodonte.

No entanto, a prática da Calçada Portuguesa só foi introduzida no séc. XIX. A iniciativa foi do Tenente General Eusébio Cândido Pinheiro Furtado, que se lembrou de usar prisioneiros do Castelo de S. Jorge como mão-obra barata (os chamados “guilhetas”) para criar um tapete de pequenas pedras num padrão ziguezague, nos arredores da fortaleza (1840 e 1846). E foi assim que, mais ou menos sem querer, o Tenente Furtado introduziu uma moda usada a nível nacional e (na altura) colonial.

 Throughout Portugal, from the largest city to the smallest village, when we walk on sidewalks or on wide squares, we walk on the Portuguese Cobbelstone (Calçada Portuguesa).

calcada-geometricaWe could say that the cobbelstone is a functional art, because it requires a specific knowledge that only the paver (calceteiro) owns. He picks up a cube of limestone or basalt and breaks it, by hand, rigorously and patiently until it has the desired size and shape so it can fit into a real puzzle.                                                                                                    The white and black stones create patterns, whose function is purely decorative. Nevertheless, the images often refer to the Portuguese imaginary, invoking often the once glorious past of the Discoveries.We can recognize caravels, mermaids, shells, waves and other motifs on the pavements. And many people still wonder why the Portuguese stare a lot at the floor …

The tradition of the Portuguese Cobbelstone has its origins in the 16th century, when King D. Manuel had the brilliant idea of celebrating his birthday with an exuberant and eccentric procession through the streets of Lisbon, which included an immense elephant. The idea of creating a stone pavement was therefore the solution to support the weight of the mastodon.


However, the practice of the Portuguese Cobbelstone was only introduced in the 19th century. The initiative was implemented by Lieutenant General Eusébio Cândido Pinheiro Furtado, who used prisoners from the Saint George Castle (Lisbon)  as cheap labor (the so-called “guilhetas”) to create a carpet of small stones in a zigzag pattern on the outskirts of the fortress (1840 to 1846). And so, more or less unintentionally, Lieutenant Furtado introduced a fashion used at a national and (at that time) colonial level.