Almada Negreiros na Gulbenkian

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De momento encontra-se no Museu da Gulbenkian uma exposição  dedicada ao artista versátil Almada Negreiros. As portas abriram no  dia 03 de Fevereiro e apenas em 3 dias, contava já com 4.586 visitantes!  E não é por menos. A sua obra é rica, variada, fascinante. É o reflexo da criatividade energética de um génio.

José Sobral de Almada Negreiros (1893 – 1970) teve um percurso incomum e bastante singular no mundo da arte. Artista autodidacta e multifacetado, nunca se rendeu à especialidade, mas em vez à diversidade. A sua arte é rica, com estilos e temas dos mais variados. Uma arte que tem tanto de beleza como de humor. Almada Negreiros dava preferência ao desenho e à escrita, mas também pintava, fazia vitrais, histórias para a lanterna mágica, cartazes para filmes, textos de prosa ou poesia e até mesmo, bailado.

Foi um dos fundadores do modernismo português, participando activamente na revista Orfeu. Viajou para Paris, onde permaneceu apenas dois anos, vivendo numa situação de isolamento. Voltou a emigrar, desta vez para Madrid onde participou activamente nos círculos de artistas espanhóis (1927 – 1932) deixando inspirar pelos seus estilos, nomeadamente Picasso. E tudo isso se espelha na sua obra.

Milhares de pessoas continuam a deslocar-se à Gulbenkian. Porque em Almada Negreiro à sempre uma descoberta, uma reinvenção, uma surpresa. É uma arte que não aborrece porque não é monótona. Há-de tudo, um pouco para todos os gostos.  É fascinante e continuará sempre a ser fascinante.

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno

  • Museu Gulbenkian – Colecção do Fundador (Av. de Berna 45A)
  • Exposições temporárias: 3€–5€
  • Entrada gratuita nos Domingos a partir das 14h00
  • Encerra terça-feira

At the moment there is an exhibition dedicated to the versatile artist Almada Negreiros at the Gulbenkian Museum. The doors opened on 03 February and in only 3 days there were already 4,586 visitors! And it is not for less. His work is rich, varied, fascinating. It is the reflection of the energetic creativity of a genius.

José Sobral de Almada Negreiros (1893 – 1970) had an unusual and quite unique journey in the art world. Self-taught and a multifaceted artist, he never surrendered to specialty, but instead to diversity. His art is rich, with styles and themes of the most varied. An art that has both beauty and humor. Almada Negreiros gave preference to drawing and writing, but also painted, did stained glass, stories for the magic lantern, posters for movies, prose or poetry texts and even, dance.

He was one of the founders of Portuguese modernism, actively participating in Orfeu magazine. He traveled to Paris, where he remained only two years, living in isolation. He emigrated again, this time to Madrid where he participated actively in the circles of Spanish artists (1927 – 1932) and was inspired by their styles, namely Picasso. All this is reflected in his work.

Thousands of people continue to travel to the Gulbenkian Museum. Because in Almada Negreiros there is always a discovery, a reinvention, a surprise. It is an art that does not bore because it is not monotonous. There is a bit for all tastes. It is fascinating and will always remain fascinating.

José de Almada Negreiros: a way of being modern

Gulbenkian Museum – Collection of the Founder (Av. De Berna 45A)
Temporary exhibitions: € 3 € -5
Free admission on Sundays from 2:00 p.m.
Closed on Tuesday

30 anos de Zeca Afonso

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Faz hoje 30 anos que Portugal perdeu um dos maiores ícones da História e da Música de Portugal. Bardo do povo, o Bob Dylan de Portugal; Zeca Afonso (José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos) foi o homem que escreveu a canção que se tornou no símbolo musical da Liberdade.

O relógio apontava meia-noite e vinte cinco minutos quando a “Grândola Vila Morena” tocava na Rádio Renascença, na noite de 25 de Abril de 1974. Este era o segundo sinal secreto para dar luz verde à revolução que viria abolir de forma pacífica um regime ditatorial de 41 anos.

Este cante alentejano tem um texto poderosíssimo que fala da força pela união fraternal do povo e tornou-se o hino não só da revolução dos cravos, mas sobretudo a voz do povo contra o governo. Foi assim que, em 15 de Fevereiro de 2013, o movimento de protesto “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” interrompeu o debate quinzenal no Parlamento. Apenas dias depois, era cantada em Puertas del Sol em Madrid.

Foi assim que a força simbólica desta canção reavivou. O hino da Liberdade homenageou Zeca Afonso em 2 de Março de 2013 quando 800 pessoas encheram o Terreiro do Paço e cantaram o texto que diz “O povo é quem mais ordena”.

30 anos depois, Zeca Afonso ainda vive nos textos e estilos dos mais variados músicos portugueses. Acima de tudo, Zeca Afonso e a sua “Grândola Vila Morena” continuam a ter a mesma força e poder que tiveram em 1974.

Today, 30 years ago, Portugal lost one of its greatest icons of Portugal’s History and Music  . Bard of the people, Bob Dylan of Portugal; Zeca Afonso (José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos) was the man who wrote the song that became the musical symbol of Freedom.

The clock showed midnight and twenty-five minutes when “Grândola Vila Morena” played on Rádio Renascença, on the night of April 25, 1974. This was the second secret signal to give the green light to the revolution that would peacefully abolish a Dictatorial Regime of 41 years.

This cante alentejano (traditional folk song from the province Alenteo) has a very powerful text that speaks about the strenght of brotherly union and became the hymn not only of the revolution of the carnations, but mainly the voice of the people against the government. It happened that on February 15, 2013, the protest movement “Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!” (Screw troika! We want our lives!) interrupted the biweekly debate in Parliament. Just days later, it was sung in Puertas del Sol in Madrid.

This is how the symbolic strength of this song was revived. The anthem of Liberty honored Zeca Afonso on March 2, 2013, when 800 people filled the Terreiro do Paço (main square in Lisbon) and sang the text that says “The people are the ones who order the most”.

30 years later, Zeca Afonso still lives in the texts and styles of the many Portuguese musicians. Above all, Zeca Afonso and his “Grândola Vila Morena” continue to have the same strength and power they had in 1974.

 

Guterres na ONU

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Quando António Manuel de Oliveira Guterres, nascido em Liboa a 30 de Abril de 1949, estudou Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico, provavelmente nunca imaginou um dia tomar posse do cargo máximo da ONU.

Durante o seu percurso académico, ainda numa era prévia à revolução dos cravos, o jovem Guterres mostrou interesse na política, fazendo parte do Grupo da Luz, que se dedicava à acção social. Em 1973 aderiu ao Partido Socialista, exercendo várias funções até chegar ao auge da sua carreira política em Portugal –  entre 1995 e 2002 Guterres exerceu o cargo de primeiro-ministro.

Seria apenas em 2005 que Guteres finalmente rumava para a área com a qual se sentia mais vocacionado e tomou o cargo de alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Este órgão pertencente às Nações Unidas tem como missão o apoio e proteção de refugiados em todo o mundo, com a contínua procura de soluções duráveis como a repatriação voluntária, a integração local e o reassentamento num terceiro país.

Hoje, a 12 de Dezembro 2016, António Guterres torna-se oficialmente o 9º secretário-geral da ONU. Durante o seu discurso, após o seu juramento, alertou para complexidade dos conflitos mundiais, a pobreza extrema e as constantes violações dos direitos humanos. Explicou como o nosso mundo vive um complexo paradoxo. É mesmo progresso tecnológico e crescimento económico que contribui para a melhoria da nossa qualidade de vida, que também conduz ao desemprego, às migrações geradas pela miséria e à crescente instabilidade generaliza, a qual é fruto da falta de recursos, da diminuição da liberdade de expressão e dos conflitos armados e terroristas.

Guterres discursou o seguinte:

«Ao mesmo tempo, nos últimos 20 anos, assistimos a um progresso tecnológico tremendo. A economia global está a crescer, os indicadores básicos revelam que a proporção de pessoas que vive abaixo do limiar da pobreza tem escalado dramaticamente, mas a globalização e o progresso tecnológico também têm contribuído para acentuar essas desigualdades. Há muita gente que foi deixada para trás»

As suas 3 prioridades estratégicas são o trabalho pela paz, o apoio ao desenvolvimento sustentável  e a gestão interna da ONU, mas também apela pela igualdade dos géneros na sociedade e trabalho, tal como a participação activa de jovens nos assuntos da ONU

«A minha contribuição na ONU será para recuperarmos essa confiança para melhor servirmos a humanidade», terminou o novo secretário-geral das Nações Unidas o seu discurso em diversas línguas.

Já comparado com o ganês Kofi Annan, o mundo aguarda com expectativa pelo dia 1 de janeiro de 2017, data em que António Guterres começa a trabalhar na secretaria-geral das Nações Unidas.

Numa altura em que o mundo está a sofrer grandes alterações, os olhos estão postos neste Português.

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When António Manuel de Oliveira Guterres, born in Libon on April 30, 1949; was studying Electrical Engineering at the Instituto Superior Técnico, he probably never imagined he would take, one day, possession of the UN’s top job.

During his academic career, still in an era prior to the carnation revolution, the young Guterres showed interest in politics. He belonged to the Grupo da Luz (Light Group), which was dedicated to social work. In 1973 he joined the Socialist Party, where he exercised various functions until he reached the peak of his political career in Portugal – between 1995 and 2002 Guterres served as prime minister.

It was only in 2005 that Guteres finally made his way to the area where he felt mostly called for and took the post of United Nations High Commissioner for Refugees. This United Nations body has as its mission to support and protect refugees around the world, with the continuing search for durable solutions such as voluntary repatriation, local integration and resettlement in a third country.

Today, on 12 December 2016, António Guterres officially becomes the 9th Secretary-General of the UN. During his speech, after his oath, he alerted for the complexity of world conflicts, extreme poverty, and constant violations of human rights. He explained how our world lives a complex paradox. It is the same technological progress and economic growth improves our quality of life, that also leads to unemployment, migrations generated by misery and increasing general instability, which is the result of a lack of resources, a reduction of freedom of expression and armed and terrorist conflicts.

Guterres addressed the following:

«At the same time, in the last 20 years, we have witnessed tremendous technological progress. The global economy is growing, basic indicators show that the proportion of people living below the poverty line has escalated dramatically, but globalization and technological progress have also contributed to these inequalities. There are a lot of people left behind »

His 3 strategic priorities are peace work, support for sustainable development and internal management of the UN, but he also calls for gender equality in society and work, as well as the active participation of young people in UN affairs.

My contribution to the UN will be to restore this confidence to better serve humanity», the new Secretary-General of the United Nations concluded in his speech, which was spoken in several languages.

Already compared to the Ghanaian Kofi Annan, the world waits expectantly for January 1, 2017, the date on which António Guterres starts working for the UN Secretary General.

At a time when the world is undergoing major changes, the eyes are set on this Portuguese.