111 anos de vida! Lello &Irmão

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Esta sexta-feira 13 de 2017, foi de longe um dia de azar para um estabelecimento em particular na cidade do Porto. A livraria Lello & Irmão celebra hoje os seu 111 anos! Muitos parabéns!!!

Esta livraria já foi tema do meu blog, aliás foi uma das primeiras entradas, mas é tão especial que vale a pena de escrever novamente sobre ela, sobretudo com esta celebração especial.

Durante os últimos anos, no contexto do crescente boom turístico do Porto, tive o privilégio de assistir à forma que a livraria se tem adaptado às exigências de um novo público emergente – o turista. Homens de mulheres vindos de todas as partes do mundo entravam na livraria, maravilhavam-se com o seu esplendor, tiravam fotografias e as selfies obrigatórias e saíam, sem comprar um único livro.

Começou-se a cobrar só para grupos de excursões em forma de um marcador para livros, pois enchiam a casa em segundos. Porém a maré de turistas não parava de entrar e as correntes de fotografia de férias continuava a não vender livros. De facto, todos os livros da loja eram de língua Portuguesa, existindo apenas um cantinho, uma muito tímida prateleirinha com livros em Inglês e talvez uma ou outra raridade em Francês ou Espanhol. Recentemente o tradicionalismo português decidiu acompanhar as mudanças do mundo moderno.

Passou-se a cobrar 3 euros de entrada para toda a gente, sem excepção, na forma de um voucher, cujo valor é descontado na compra de … nada mais – um livro! Agora, os turistas já encontram muitos livros nas línguas globais, ou seja, Inglês, Francês e Espanhol, de escritores contemporâneos e de obras traduzidas de escritores Portugueses.

Resultado final? No ano 2016, contaram-se mais de 1 milhão de visitantes! Apenas 35% terão comprado livros e, por conseguinte, venderam-se 357.000 livros! 5 vezes mais do que no ano anterior! O objectivo do administrador da Lello & Irmão é transformar os outros 65% em novos leitores.

Hoje houve festa na livraria com música Rap e outros eventos. Já Camões dizia. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. A Lello & Irmão tem-se adaptado às mudanças, mas mantém-se fiel à sua função – criar leitores.

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/porto/livraria-lello-faz-111-anos-e-celebra-um-milhao-de-visitantes-em-2016

This Friday the 13th, 2017, was by far a day of bad luck for a particular establishment in the city of Porto. The Lello & Irmão Bookstore celebrates today its 111th anniversary ! Congratulations!!!

This bookstore has already been theme of my blog, in fact it was one of the first entries, but it is so special that it is worth writing again about it, especially with this  celebration.

During the last few years, in the context of Porto’s growing tourist boom, I had the privilege of watching the way the bookstore has adapted itself to the demands of a new emerging public – the tourist. Men and women from all over the world would enter the bookstore, marvel at it’s splendor, take pictures, selfies, and leave without buying a single book.

It started charging only for excursions groups in the form of book markers, because they filled the house in seconds. But the tide of tourists kept coming in and the currents of holiday photography still did not sell books. In fact, all the books in the store were Portuguese, having only one corner, one very shy shelf with books in English and perhaps a rarity in French or Spanish. Recently Portuguese traditionalism has decided to follow the changes of the modern world.

Now there is a charge of 3 euros for everyone, without exception, in the form of a voucher, the value of which is deducted from the purchase of … you guessed right – a book! Now, tourists already find many books in the global languages, namely English, French and Spanish, contemporary writers and translated works of Portuguese writers.

Final results? In the year 2016, there were more than 1 million visitors! Only 35% bought books and therefore 357,000 books have been sold! 5 times more than the previous year! The goal of the Lello & Irmão’s administrator is to turn the other 65% into new readers.

Today there was a party at the bookstore with Rap music and other events. Camões was already used to say. The times changes, the will changes. Lello & Brother has adapted to changes, but stays true to its function – to create readers.

A Charola do Convento de Cristo

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Todos crescemos com histórias envolvidas na névoa de lendas e mitos dos Cruzados, dos corajosos e aventureiros cavaleiros Templários.  A realidade foi bem diferente, pois os Templários não tiveram um final feliz. Ou não?

Em Tomar temos um vestígio magnífico e singular dos cavaleiros monges. Ao aproximarmos do Convento de Cristo é impossível não sentir um profundo respeito pelas imponentes muralhas impenetráveis da fortaleza. Afinal, os Templários eram verdadeiros mestres da arquitectura militar. Uma vez no interior do convento, é impossível não se perder na confusão labiríntica e ilógica de claustros atrás de claustros, corredores, escadarias e varandas que não nos levam para onde queremos, mas para donde viemos. Este é o resultado de séculos de acrescento de novas construções. E depois temos a Charola.

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A Charola é a estrutura original e mais antiga do convento. Era o local de iniciação e culto dos Templários. Completado em 1160, quebrava por completo com as regras da arquitectura religiosa ocidental. Em vez seguir a tradicional planta da cruz latina, optou-se pela circular. Algo estranho para a Europa medieval, pois edifícios circulares eram normalmente Baptistérios ou a Mausoléus. Tudo tem um motivo, claro. Os Templários tinham uma ideologia e mística própria, fruto das suas expedições militares pelo mundo Bizantino.

A inspiração da Charola veio, de facto de um mausoléu. A charola é a réplica perfeita da basílica paleocristã do Santo Sepulcro (Jerusalém), pois os Templários desejavam honrar o local onde Jesus Cristo teria sido sepultado. Por outro lado, segue o arquétipo dos cavaleiros da Távola Redonda, ligado à demanda do Santo Graal. A decoração é toda posterior, portanto temos de imaginar as paredes despidas de cor ou qualquer ornamento.

Contam-se 8 colunas no interior da igreja, algarismo importante na mística Templária. Está associada, entre outros, à Criação do Mundo (no oitavo dia, o mundo estava completo) e das 8 Beatitudes, também presentes num dos tipos de cruzes por eles usadas. (http://sp07.webnode.pt/news/breve-apontamento-sobre-cruzes-templarias/).

A presença do Templários em Portugal foi essencial durante a os primeiros séculos da sua independência, pois ajudavam o rei a proteger as fronteiras de qualquer invasor indesejado. Em troca receberam terras e privilégios, mas sobretudo, receberam uma salvação régia e sobreviveram às perseguições lideradas pelo rei Francês Filipe IV e pelo Papa Bonifácio no séc.XIV.

O mito da sexta-feira 13 nasceu com a morte dos últimos Templários em 1307. Em 14 de Março de 1319, nasceu uma nova ordem religiosa que “salvou” os cavaleiros monges residentes em Portugal. Com a aprovação do Papa João XXII, o rei D.Dinis criou a Ordem de Cristo. Herdaram as mesmas terras, privilégios, direitos e obrigações dos Templários, tal como as sua regra monástica, hábitos e simbologia.

Em Portugal os Tempários nunca morreram. Continuaram a existir sob outro nome.

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We all grew up with the Crusaders stories, involved in the haze of legends and myths of brave and adventurous knights. The reality was quite different, for the Templars did not have a happy ending. Or did they?

In Tomar we can find a magnificent and unique testemony of the Templars. As we approach the Convent of Christ it is impossible not to feel a deep respect for the imposing impenetrable walls of the fortress. After all, the Templars were true masters of military architecture. Once inside the convent, it is impossible not to get lost in the labyrintic and illogical confusion of cloisters, corridors, staircases and balconies that do not take us to where we want, but to where we just came from. This is the result of centuries of adding new constructions. And then we have the Charola (round church).

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The Charola is the original and oldest structure of the convent. It was the place for initiation and cult. Completed in 1160, it broke with the rules of Western religious architecture. Instead of following the traditional plan of the Latin cross, they opted for the circular one. This was rather unsual for the medieval Europe, because circular buildings were usually Baptisteries or Mausoleums. Everything has a reason, of course. The Templars had their own ideology and mystique, the result of their military expeditions throughout the Byzantine world.

The inspiration came, in fact, from a mausoleum. The Charola is the perfect replica of the paleocristan basilica of the Holy Sepulcher (Jerusalem), for the Templars wanted to honor the place where Jesus Christ was buried. On the other hand, it follows the archetype of the Knights of the Round Table, linked to the Holy Grail. The decoration was added centuries later, so we have to imagine the walls bare of color or any ornament.

There are 8 columns inside the church, an important number in the Templar mystique . It is associated, among others, to the Creation of the World (on the eighth day, the world was completed) and the 8 Blessings, also present in one of the Templa’s  crosses. 

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The presence of the Templars in Portugal was essential during the first centuries of the country’s independence, since they helped the king to protect the boundaries of any unwanted invader. In return they received lands and privileges, but above all, they received a royal salvation and survived the persecutions led by the French king Philip IV and by Pope Boniface in the 14th century.

The myth of Friday the 13th was born with the death of the last Templars in 1307. On March 14, 1319, a new religious order was born and “saved” the ridders residing in Portugal. With the approval of Pope John XXII, King D.Dinis created the Order of Christ. The ridders inherited the same lands, privileges, rights and obligations of the Templars, just like their monastic rule, habits, and symbology.

In Portugal the Templars never died. They continued to exist under another name.