A Charola do Convento de Cristo

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Todos crescemos com histórias envolvidas na névoa de lendas e mitos dos Cruzados, dos corajosos e aventureiros cavaleiros Templários.  A realidade foi bem diferente, pois os Templários não tiveram um final feliz. Ou não?

Em Tomar temos um vestígio magnífico e singular dos cavaleiros monges. Ao aproximarmos do Convento de Cristo é impossível não sentir um profundo respeito pelas imponentes muralhas impenetráveis da fortaleza. Afinal, os Templários eram verdadeiros mestres da arquitectura militar. Uma vez no interior do convento, é impossível não se perder na confusão labiríntica e ilógica de claustros atrás de claustros, corredores, escadarias e varandas que não nos levam para onde queremos, mas para donde viemos. Este é o resultado de séculos de acrescento de novas construções. E depois temos a Charola.

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A Charola é a estrutura original e mais antiga do convento. Era o local de iniciação e culto dos Templários. Completado em 1160, quebrava por completo com as regras da arquitectura religiosa ocidental. Em vez seguir a tradicional planta da cruz latina, optou-se pela circular. Algo estranho para a Europa medieval, pois edifícios circulares eram normalmente Baptistérios ou a Mausoléus. Tudo tem um motivo, claro. Os Templários tinham uma ideologia e mística própria, fruto das suas expedições militares pelo mundo Bizantino.

A inspiração da Charola veio, de facto de um mausoléu. A charola é a réplica perfeita da basílica paleocristã do Santo Sepulcro (Jerusalém), pois os Templários desejavam honrar o local onde Jesus Cristo teria sido sepultado. Por outro lado, segue o arquétipo dos cavaleiros da Távola Redonda, ligado à demanda do Santo Graal. A decoração é toda posterior, portanto temos de imaginar as paredes despidas de cor ou qualquer ornamento.

Contam-se 8 colunas no interior da igreja, algarismo importante na mística Templária. Está associada, entre outros, à Criação do Mundo (no oitavo dia, o mundo estava completo) e das 8 Beatitudes, também presentes num dos tipos de cruzes por eles usadas. (http://sp07.webnode.pt/news/breve-apontamento-sobre-cruzes-templarias/).

A presença do Templários em Portugal foi essencial durante a os primeiros séculos da sua independência, pois ajudavam o rei a proteger as fronteiras de qualquer invasor indesejado. Em troca receberam terras e privilégios, mas sobretudo, receberam uma salvação régia e sobreviveram às perseguições lideradas pelo rei Francês Filipe IV e pelo Papa Bonifácio no séc.XIV.

O mito da sexta-feira 13 nasceu com a morte dos últimos Templários em 1307. Em 14 de Março de 1319, nasceu uma nova ordem religiosa que “salvou” os cavaleiros monges residentes em Portugal. Com a aprovação do Papa João XXII, o rei D.Dinis criou a Ordem de Cristo. Herdaram as mesmas terras, privilégios, direitos e obrigações dos Templários, tal como as sua regra monástica, hábitos e simbologia.

Em Portugal os Tempários nunca morreram. Continuaram a existir sob outro nome.

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We all grew up with the Crusaders stories, involved in the haze of legends and myths of brave and adventurous knights. The reality was quite different, for the Templars did not have a happy ending. Or did they?

In Tomar we can find a magnificent and unique testemony of the Templars. As we approach the Convent of Christ it is impossible not to feel a deep respect for the imposing impenetrable walls of the fortress. After all, the Templars were true masters of military architecture. Once inside the convent, it is impossible not to get lost in the labyrintic and illogical confusion of cloisters, corridors, staircases and balconies that do not take us to where we want, but to where we just came from. This is the result of centuries of adding new constructions. And then we have the Charola (round church).

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The Charola is the original and oldest structure of the convent. It was the place for initiation and cult. Completed in 1160, it broke with the rules of Western religious architecture. Instead of following the traditional plan of the Latin cross, they opted for the circular one. This was rather unsual for the medieval Europe, because circular buildings were usually Baptisteries or Mausoleums. Everything has a reason, of course. The Templars had their own ideology and mystique, the result of their military expeditions throughout the Byzantine world.

The inspiration came, in fact, from a mausoleum. The Charola is the perfect replica of the paleocristan basilica of the Holy Sepulcher (Jerusalem), for the Templars wanted to honor the place where Jesus Christ was buried. On the other hand, it follows the archetype of the Knights of the Round Table, linked to the Holy Grail. The decoration was added centuries later, so we have to imagine the walls bare of color or any ornament.

There are 8 columns inside the church, an important number in the Templar mystique . It is associated, among others, to the Creation of the World (on the eighth day, the world was completed) and the 8 Blessings, also present in one of the Templa’s  crosses. 

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The presence of the Templars in Portugal was essential during the first centuries of the country’s independence, since they helped the king to protect the boundaries of any unwanted invader. In return they received lands and privileges, but above all, they received a royal salvation and survived the persecutions led by the French king Philip IV and by Pope Boniface in the 14th century.

The myth of Friday the 13th was born with the death of the last Templars in 1307. On March 14, 1319, a new religious order was born and “saved” the ridders residing in Portugal. With the approval of Pope John XXII, King D.Dinis created the Order of Christ. The ridders inherited the same lands, privileges, rights and obligations of the Templars, just like their monastic rule, habits, and symbology.

In Portugal the Templars never died. They continued to exist under another name.

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