Bacalhau

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É impossível dissociar a palavra “bacalhau” do Povo Português. É o maior consumidor mundial de bacalhau e um enorme apreciador deste peixe. Dificilmente sabemos se este gosto nacional é amor ou obsessão. Eu falo por mim. Se estou uma semana no estrangeiro, já estou desejosa de um bom prato de Bacalhau à Brás ou à Lagareiro!

Não há dúvida que a gastronomia portuguesa nunca seria a mesma sem o seu precioso bacalhau. Diz-se que existe uma receita diferente para cada dia do ano, mas já sabemos que a maioria das famílias Lusas irão comer Bacalhau com Grelos na noite da consoada, pois é o que a tradição dita.

A pergunta é, como é que este peixe duro, seco e salgado se tornou tão popular ao ponto de se tornar parte da identidade do Português? Porque o bacalhau não é propriamente um peixe da nossa costa Atlântica. Pelo contrário. O bacalhau é abundante nos mares gélidos da Noruega, Canadá e Polo Árctico. E durante séculos, navios portugueses navegavam faziam a longa e perigosa viagem para o norte, só para buscar bacalhau.

Tudo tem o seu motivo, evidentemente. Vamos recuar no tempo e viajar para o séc. XV. Estamos na época dos Descobrimentos, quando navios exploravam a costa Africana e ansiavam derrotar o gigante Adamastor para poder chegar à Índia. Era frequente estarem 3 meses no mar ser ter a possibilidade de abastecer. Foi assim que se foi à procura um alimento que pudesse ser conservado durante um longo período de tempo e de preferência, que fosse rico em nutrientes e proteínas. Experimentou-se a seca e salga em muitos peixes da costa marítima portuguesa, mas nenhuma respondia às exigências.

Então descobriu-se o ouro dos Sete Mares, o rei de todos os peixes – o bacalhau nórdico. Já os Vikings secavam-no desde o séc.IX e os Bascos mais tarde acrescentaram a técnica da salga. Os portugueses procuraram o bacalhau por necessidade e foram os que o mais cozinharam. São séculos de gerações que certamente mudaram a genética dos Portugueses e estou convicta que algures no ADN Luso há um cromossoma referente ao consumo do bacalhau.

Portugal é um dos exportadores mais importantes do bacalhau na actualidade. Tem uma frota de 13 bacalhoeiros e a pesca faz-se nas águas da Terra Nova (Noruega e de Svalbard) e oferece emprego a cerca de 2.ooo pessoas!

Há um anúncio que diz que o “melhor bacalhau vem da Noruega”. Mas o melhor bacalhau come-se em Portugal.

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It is impossible to dissociate the word “bacalhau” (codfish) from the Portuguese people. They are the world’s largest consumer of cod and naturally huge fans of this fish. It’s hard to know if this national liking is love or obsession. I speak for myself. If I’m abroad for a week, I’m already looking forward to a good dish of Bacalhau à Brás or Lagareiro!

There is no doubt that the Portuguese gastronomy would never be the same without its precious codfish. It is said that there is a different recipe for each day of the year, but it’s already known that most Portuguese families will eat codfish with cabbage at Christmas Eve, according to tradition.

The question is, how did this hard, dry and salty fish become so popular to the point of becoming part of the Portuguese’s identity? Cod is not exactly a fish from our Atlantic coast. On the contrary. Cod is abundant in the icy seas of Norway, Canada and the Arctic Pole. And yet, during centuries, Portuguese ships  made the long and dangerous journey to  the north, just to look for codfish.

Everything has its reason, of course. Let’s travel back in time to the 15th century. We are in the days of the Discoveries, when ships explored the African coast and longed to defeat the giant Adamastor (methaphor for Cape Good Hope) so they could reach India. It was common to be 3 months at sea without fresh food. So, the Portuguese started looking for a food that could be preserved for a long period of time and preferably rich in nutrients and proteins. Drought and salting were experienced in many fish from the Portuguese coast, but none met the needed requirements.

It was then that the gold of the Seven Seas, the king of all fishes,  was discovered – the Nordic codfish. The Vikings already dried it in the 9th century and later on, the Basques  added the salting technique . The Portuguese sought the codfish out of necessity and were the ones who cooked it the most. After centuries of generations the genetics of the Portugueses have surely changed . I am convinced that there is a chromosome in Portuguese DNA  that refers to the consumption of codfish.

Nowadays, Portugal is one of the most important exporters of codfish. There are 13 fishing fleets active in the waters of Newfoundland (Norway and Svalbard) that offer employment to around 2,000 people!

There is an advertisement  that says “the best codfish comes from Norway”. But the best codfish is cooked in Portugal.

 

 

 

 

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